sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Do outro lado da baía

Eu olhava para seus pés e eles me olhavam de volta. Eles estavam diferentes.
Talvez fosse meu olhar envergonhado - o mesmo que repelia o seu olhar
e me impedia de levantar o queixo para te encarar.

Eu não sabia que aquilo tudo estava por vir, e que eu seria capaz de abrigar aquele choque todo no peito
(Se bem que dava, porque eu abri um espaço te falando todas aquelas coisas que eu nem imaginava)

Será que eu fui tão boba assim, de achar que estava girando a tampa pro lado certo enquanto eu estava era atarrachando cada vez mais?
Não, não! Você me disse várias coisas. Deixa eu acreditar nelas? Vamos ficar no momento em que você as disse. No momento em que eu só via o seu sorriso no escuro, e que eu achava que estava tão incógnita
Mas na verdade eu estava desnuda. E você dava uma moeda pelos meus pensamentos.
Mas e os seus?
Será que os seus são singelos e floridos como você me deu?
Ou é tudo doloroso como acordar no lusco fusco com os olhos pesados e ardidos?

Eu esperei

E a gente andou vários percursos lado a lado. Mas era como uma presença estranha que eu não entendia.
Era outra pessoa.
Mas, de qualquer maneira, ainda era a pessoa que sabia o número (só para me certificar).

Agora eu já não sei mais. Eu tomei coragem de transpor a tela escura. E só ouvi você falar "eu estava esperando"

Então... Tá. O relógio está correndo.

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