domingo, 29 de setembro de 2013

Alea jacta est

Deseje-me sorte

No dia em que eu resolvi
Desbravar o mundo
(Vasto mundo)

No dia em que eu segui
Os corações da razão

Nem fiquei na cidade
Nem voltei pro sertão

Só deixando os rastros
De migalhas de pão

(Mas cadê o horizonte?)

Deseje-me sorte
Ou apenas
Deseje-me

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Você sente necessidade?

Eu quero estar com você
Mesmo que seja para o mal
Mesmo que não seja para ir ao cinema
Mesmo que doa

Não importa

É um alento saber que eu vou te ver
Inventar uma bobagem pra gente se ver
Só pra adiar o momento em que a gente nunca mais vai se ver
Pra ganhar tempo enquanto eu perco tempo querendo te ver

Pro que quer que seja

Eu quero estar com você
Mesmo que você seja o carrasco no dia da minha execução
Mesmo que você não leia seu poeta preferido pra mim
Mesmo que você vá dizer que não quer mais me ver

Eu quero mais que tudo te ver

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Justificativa

Por gostar de encontrar e de escrever inícios, ele tende a multiplicar esse prazer: eis por que escreve fragmentos: tantos fragmentos, tantos inícios, tantos prazeres (mas não gosta de fins: o risco de uma cláusula retórica é grande demais: temor de não saber resistir à última palavra, à última réplica). 



BARTHES, Roland. R. Barthes par lui-même. Paris: Ed. du Seuil, 1975.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Autoflagelação

Não aguento mais engolir tanta decepção
O gosto tá muito amargo

Não aguento mais ouvir elogios de consolação
O som tá muito agudo

Não aguento mais me embriagar de autocomiseração
O vinho tá muito aguado

Não aguento mais os lamentos por atenção
O disco tá arranhado

Dias e dias

Hoje eu acordei bonita
Hoje eu não levei marmita
Fui pra vida, dolce vita
De calcinha colorida
E calça off-white
Nem tudo é carne

Hoje eu fui bonita
Hoje eu acordei marmita
Me levei pra dolce vita
De calcinha off-white
E calça colorida
Pra esconder a carne

Hoje eu me escondi da vida
Me levei pra ser bonita
Acordar com a cara off-white
E a boca colorida
Em vez da calça, a marmita
Pra conservar a carne

sábado, 20 de abril de 2013

Inferno

A você, toda a Itália
Mas ela não te quer

Todo dia, toda hora
A mesma caminhada
Em claro, toda a noite
Já não é mais madrugada
Sons que invadem meus sonhos
Me põem de pé desesperada
E uma vez mais entorpecida
Grito já resignada

Que tá tudo bem,
Eu não quero ela também.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Lá em Portugal

Vou ficar batendo
Essa história toda
Até o mês de agosto

Vou sonhar e chorar
Com sobressalto e choque
Que nem meteoro no Porto

Se você não escrever
Eu desaprendo a ler
E corro sozinha até o posto

Talvez não seja mesmo uma história
Ou por que o fim não chegou
Ou porque é só brincadeira de mau gosto

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Marina

Gosto de escrever poemas
Aleatórios, nada com nada

Gosto de ver o nascer do sol
Sozinha, debaixo da escada

De ver o céu se tornando
Azul, do nada

De gostar de te ver sozinho
E não sentir nada

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Design de interiores

Ainda tem que ser com as mãos
Que hoje eu tô cheia de poesia
Só talvez não saiba falar

Vivo remexendo cadernos velhos
À procura de uma obviedade
Que me faça pensar

Meu caminho é todo recaídas
Teu nome nas avenidas
Voltando sempre pro mesmo lugar

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Palavras com P que mi Piacciono

Protocolo
Presepada
Psicotrópicos