quinta-feira, 4 de julho de 2013

Justificativa

Por gostar de encontrar e de escrever inícios, ele tende a multiplicar esse prazer: eis por que escreve fragmentos: tantos fragmentos, tantos inícios, tantos prazeres (mas não gosta de fins: o risco de uma cláusula retórica é grande demais: temor de não saber resistir à última palavra, à última réplica). 



BARTHES, Roland. R. Barthes par lui-même. Paris: Ed. du Seuil, 1975.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Autoflagelação

Não aguento mais engolir tanta decepção
O gosto tá muito amargo

Não aguento mais ouvir elogios de consolação
O som tá muito agudo

Não aguento mais me embriagar de autocomiseração
O vinho tá muito aguado

Não aguento mais os lamentos por atenção
O disco tá arranhado

Dias e dias

Hoje eu acordei bonita
Hoje eu não levei marmita
Fui pra vida, dolce vita
De calcinha colorida
E calça off-white
Nem tudo é carne

Hoje eu fui bonita
Hoje eu acordei marmita
Me levei pra dolce vita
De calcinha off-white
E calça colorida
Pra esconder a carne

Hoje eu me escondi da vida
Me levei pra ser bonita
Acordar com a cara off-white
E a boca colorida
Em vez da calça, a marmita
Pra conservar a carne