sábado, 30 de janeiro de 2010

Sou feira

Não sei se o problema
É o requeijão ou a faca
Vertendo sangue volúvel
Da minha carne fraca

É por você o sacrifício
Que sacia a fome
E alimenta o vício
Que leva teu nome

Não sei se meu erro
É viver por você
Nesse velho desterro

É por você que eu espero
Tecendo minha mortalha
Com esmero

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Haikai do outono triste

Andada no vale
De lágrimas com folhas
Que teimam em não cair

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Redondilha

O meu amor me balançava
Ao chegar devagarinho
Por dentro tudo gelava
Aos sussurros de pertinho
Eu dizia se demora
Mas vinha sempre o sol
Pra levar meu amor embora


Experiência parnasiana número 1

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Haikai da decomposição

As formigas subindo
Em meu rosto esfacelado
De migalhas de pão

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Arcaísmos

Eu não vou fazer poesias modernas
Pode estar frio
Posso não ter dinheiro
Só varizes nas pernas

Eu não vou recitar uma mentira
Ladeada por palavras difíceis
Entremeadas por versos bonitos
Mas que não vale o ar que respira

Eu vou encher o meu peito
Mesmo que transborde e putrefaça
Florescendo o imperfeito

Eu vou lutar contra a corrente
Me esfacelando na métrica velha
Do poeta mais impotente

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Metalinguagem e babushkas

O fazer da poesia
Vem do fundo das tripas
Tanto corre que gritas:
- Alegria, alegria

O poeta que fala
Que quer revelar o segredo
É apenas um animal com medo
Escondido no canto da sala

A poesia dentro da poesia
São os ossos do ofício
Que não se conhece de início
Toma conta de tua cria

É como as bonecas russas
Saindo uma de dentro da outra
Como sai a poesia da poesia
Na folha de papel

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Recordação

Foi assim
Lembrei de teus braços
E voltei a mim

E aí então
Lembrei dos teus beijos
E fiz uma canção

Passou um segundo
Lembrei de teus olhos
E conquistei o mundo

Depois disso tudo
Lembrei que era um sonho
E desencontrei-me mudo