Então eu te disse que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham, e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavras e às vezes nem a pessoa exatas. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse.
ABREU, Caio Fernando. O Dia de Ontem In: O ovo apunhalado
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Tempus regit actum
Indicativo
Presente: Agonizar (Eu agonizo. Tu agonizas?)
Pretérito perfeito: Acontecer (Aconteceu, já era)
Pretérito imperfeito: Imaginar (Eu sempre imaginava como seria)
Pretérito mais que perfeito: Querer (Quisera eu...)
Futuro do pretérito: Ser (Eu sempre imaginava como seria)
Futuro do presente: Continuar (Eu sempre imaginava como seria, e acho que continuarei imaginando)
Subjuntivo
Presente: Conseguir (Espero que eu consiga enfrentar)
Pretérito imperfeito: Poder (Se eu pudesse ler seus pensamentos...)
Futuro: Dar (Vou rir disso quando der tudo certo)
Formas nominais:
Particípio: Consumar/estragar (Está consumado, e, quiçá, estragado)
Gerúndio: Sofrer (não vou admitir que estou sofrendo)
Infinitivo: Fazer (Já não sei mais o que fazer., exceto talvez imaginar como seria...)
Presente: Agonizar (Eu agonizo. Tu agonizas?)
Pretérito perfeito: Acontecer (Aconteceu, já era)
Pretérito imperfeito: Imaginar (Eu sempre imaginava como seria)
Pretérito mais que perfeito: Querer (Quisera eu...)
Futuro do pretérito: Ser (Eu sempre imaginava como seria)
Futuro do presente: Continuar (Eu sempre imaginava como seria, e acho que continuarei imaginando)
Subjuntivo
Presente: Conseguir (Espero que eu consiga enfrentar)
Pretérito imperfeito: Poder (Se eu pudesse ler seus pensamentos...)
Futuro: Dar (Vou rir disso quando der tudo certo)
Formas nominais:
Particípio: Consumar/estragar (Está consumado, e, quiçá, estragado)
Gerúndio: Sofrer (não vou admitir que estou sofrendo)
Infinitivo: Fazer (Já não sei mais o que fazer., exceto talvez imaginar como seria...)
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Risos
Ando sozinha pelas ruas rindo
Lembrando sempre do momento lindo
Nas tardes de sol de Fevereiro
Eu, você e o tiro certeiro
Me pego mexendo em retratos antigos
De sorrisos e beijos mais que amigos
Registros de conversas desajeitadas
E cartas de amor extraviadas
Pequenos pontos de contato
Percalços, tropeços e passos
Sem nunca alcançar as vias de fato
Bem me quer, mal me quer
Risos de criança contendo
Choros de homem e mulher
Lembrando sempre do momento lindo
Nas tardes de sol de Fevereiro
Eu, você e o tiro certeiro
Me pego mexendo em retratos antigos
De sorrisos e beijos mais que amigos
Registros de conversas desajeitadas
E cartas de amor extraviadas
Pequenos pontos de contato
Percalços, tropeços e passos
Sem nunca alcançar as vias de fato
Bem me quer, mal me quer
Risos de criança contendo
Choros de homem e mulher
segunda-feira, 14 de março de 2011
palavras bonitas e avassaladoras
Às vezes eu não consigo dormir, com fome.
Fome de palavras bonitas e avassaladoras, com as quais eu possa me identificar, sofrer junto, ter uma merda de uma catarse.
Tenho orgasmos com as palavras bonitas e avassaladoras. Quero transcender, entrar no papel, pegá-las, abraçá-las, beijá-las.
"Vocês são minha alma gêmea", eu diria. "Nunca me identifiquei tanto com alguém. Nunca me emocionei tanto com alguém. Ninguém nunca me refletiu tão bem".
Quero me casar com as palavras bonitas e avassaladoras. Sei que elas não me decepcionarão, não me trairão, não me deixarão. Sei também, contudo, que não virão atrás de mim, perdidamente apaixonadas.
É isso que eu amo nas palavras bonitas e avassaladoras. Elas são ideias fixas, perfeitas, imutáveis, para as quais eu posso ficar eternamente olhando. Tendo catarses. E orgasmos. E elas não me olharão de volta.
Só gosto dos poemas porque estão tão próximos.
Só gosto dos amores porque estão tão longe.
Fome de palavras bonitas e avassaladoras, com as quais eu possa me identificar, sofrer junto, ter uma merda de uma catarse.
Tenho orgasmos com as palavras bonitas e avassaladoras. Quero transcender, entrar no papel, pegá-las, abraçá-las, beijá-las.
"Vocês são minha alma gêmea", eu diria. "Nunca me identifiquei tanto com alguém. Nunca me emocionei tanto com alguém. Ninguém nunca me refletiu tão bem".
Quero me casar com as palavras bonitas e avassaladoras. Sei que elas não me decepcionarão, não me trairão, não me deixarão. Sei também, contudo, que não virão atrás de mim, perdidamente apaixonadas.
É isso que eu amo nas palavras bonitas e avassaladoras. Elas são ideias fixas, perfeitas, imutáveis, para as quais eu posso ficar eternamente olhando. Tendo catarses. E orgasmos. E elas não me olharão de volta.
Só gosto dos poemas porque estão tão próximos.
Só gosto dos amores porque estão tão longe.
domingo, 6 de março de 2011
paixões fluviais
vários segundos sem respirar várias horas sem comer várias noites sem dormir várias semanas de várias paixões arrebatadoras e febris vividas como se fossem a última mas sempre esperando a próxima.
(Fome de viver, êxtase existencial, quero abraçar o mundo, rios metafísicos, etc.)
Iam se atropelando como se fossem a razão de ser, até que finalmente se interpunham e me davam sucessivos choques térmicos nos picos de suas áreas de interseção
Como se fosse "Eu te juro amor eterno e amanhã já te esqueci", etc.
SÃO rios metafísicos. É como disse Heráclito: "Tudo flui"
(Fome de viver, êxtase existencial, quero abraçar o mundo, rios metafísicos, etc.)
Iam se atropelando como se fossem a razão de ser, até que finalmente se interpunham e me davam sucessivos choques térmicos nos picos de suas áreas de interseção
Como se fosse "Eu te juro amor eterno e amanhã já te esqueci", etc.
SÃO rios metafísicos. É como disse Heráclito: "Tudo flui"
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Amanhã a gente não se viu
Amanhã a gente não se viu
Na soleira da sua porta
Eu não quis dizer
oi
Amanhã eu fiquei com medo
Dos seus tantos compromissos
Da sua escapatória ao dizer
depois
Amanhã eu não soube o que fazer
Com você rondando por aqui
Sem coragem de dizer
talvez
Amanhã eu pensei
Que pudesse me mover
Mas fico parada até poder dizer
adeus
Na soleira da sua porta
Eu não quis dizer
oi
Amanhã eu fiquei com medo
Dos seus tantos compromissos
Da sua escapatória ao dizer
depois
Amanhã eu não soube o que fazer
Com você rondando por aqui
Sem coragem de dizer
talvez
Amanhã eu pensei
Que pudesse me mover
Mas fico parada até poder dizer
adeus
domingo, 23 de janeiro de 2011
open the box
muitas mãos e olhos espalhados
não vou olhar pro lado
cabelos e bocas misturadas
não vejo nada
meu sorriso é o de alguém
que maliciosamente guarda
um segredinho
foi quando eu percebi
que a temperatura do meu sangue
está bem abaixo do que eu imaginava
não vou olhar pro lado
cabelos e bocas misturadas
não vejo nada
meu sorriso é o de alguém
que maliciosamente guarda
um segredinho
foi quando eu percebi
que a temperatura do meu sangue
está bem abaixo do que eu imaginava
Assinar:
Postagens (Atom)